7 séries com protagonismo negro para maratonar

Podemos concordar que o ano de 2020 não está nada fácil. De um lado, a pandemia do coronavírus, ainda sem perspectiva de vacina, somado às irresponsabilidades daqueles que “governam” o país; do outro, exemplos de racismo e fascismo que se traduzem em atos violentos e que vitimaram George Floyd, João Pedro, Marielle Franco e tantos outros. Hoje, mais do que nunca, precisamos assumir lados e validar ao máximo movimentos sociais que garantam o direito de ir e vir, de existir e de amar.

Diante deste cenário, devemos estudar, aprender e pesquisar sobre as pautas que nos cercam. Ler mais livros, escutar podcasts e dialogar com pessoas pretas sobre o assunto. Pensar no papel da televisão também é um bom exercício na jornada do conhecimento, consuma produções criadas e protagonizadas por negros. Dê oportunidade para que essas vozes sejam ouvidas, pois elas tem muito o que dizer. Apoiar artistas escolhendo causas que os favoreçam é essencial.

A seguir, 7 produções que foram criadas, produzidas e/ou protagonizadas por negros e que merecem sua atenção.

Little Fires Everywhere (2020)

Disponível em: Prime Video

A minissérie “Little Fires Everywhere” é uma adaptação do livro homônimo de Celeste Ng, encomendada pela Hulu e distribuída no Brasil pela Prime Video. Produzida e protagonizada por Reese Whiterspoon (The Morning Show) e Kerry Washington (Scandal), a trama apresenta um incêndio criminoso ocorrido dentro de uma residência de classe média alta, em Cleveland, Ohio. Quatro meses antes, duas mães completamente diferentes se conhecem e entrelaçam seus destinos: enquanto uma é branca e rica, a outra é negra e pobre.

O enredo gira em torno dessa diferença de classe, além de trazer pautas importantes como o racismo estrutural, maternidade e imigração. Confira a crítica da coluna Uma Série de Coisas, no portal FolhaPE.

Insecure (2016-presente)

Disponível em: HBO Go.

Recentemente renovada para a quinta temporada pela HBO, “Insecure” é baseada na websérie “Awkward Black Girl”. A série de comédia acompanha as inseguranças da protagonista Issa Dee (Issa Rae), uma jovem negra cheia de dúvidas sobre seu relacionamento e que resolve, ao lado de sua amiga, enfrentar a vida de maneira mais leve.

A produção provoca e critica pensamentos conservadores e fascistas, além de abordar o empoderamento feminino e outros tipos de racismo, como o preconceito contra os árabes e asiáticos, por exemplo. Mas nada disso acontece de maneira densa, os episódios são leves e desenvolvem as questões de maneira inteligente e divertida.

Sangue e Água (2020-presente)

Disponível em: Netflix.

Quantas séries sul-africanas você já assistiu? Pois é. Por si só, isso já deveria ser motivo para colocar “Sangue e Água”, da Netflix, na sua lista. Com a popularização dos serviços de streaming, ficou mais fácil ter acesso a produções de toda parte do mundo e está mais do que na hora de você dar uma pausa nas séries americanas.

“Sangue e Água” é um drama teen e conta a história de uma adolescente da Cidade do Cabo que conhece uma nadadora e acredita que a atleta possa ser sua irmã que foi sequestrada após o nascimento. Assim como acontece na maioria dos seriados desse gênero, os episódios são repletos de romance juvenil e suspense policial.

Expresso do Amanhã (2020-presente)

Disponível em: Netflix.

Em um mundo congelado, os últimos habitantes da Terra conseguiram sobreviver se apinhando em um trem. Sete anos depois, no interior do veículo, uma nova sociedade é formada, onde os pobres ficam com a parte inferior da locomotiva, enquanto os ricos desfrutam de regalias.

O filme de mesmo nome, dirigido por Bong Joon Ho (Parasita) acontece no mesmo universo, mas as tramas de ambas as produções são distintas e independentes. Produzida pela TNT e disponibilizada pela Netflix, o seriado “Expresso do Amanhã” traz novos personagens e uma investigação criminal dentro do Perfuraneve.

Andre Layton (Daveed Diggs) era um detetive de homicídios antes do apocalipse e agora é o líder das pessoas que vivem em condições deploráveis no trem. Ele terá que desvendar quem é o assassino do Perfuraneve ao mesmo tempo que tenta trazer justiça àqueles que ama. Os episódios são exibidos semanalmente, toda segunda-feira.

Pose (2018-presente)

Disponível em: Netflix.

“Pose”, criada por Ryan Murphy (Glee e American Horror Story), deveria ser aquele seriado coringa na lista de todo mundo. É a reparação histórica da TV, possuindo o maior elenco trans já visto em série – além da pluralidade da equipe por trás da trama – e entra nessa lista não só pelo tema racial, mas pela importância de sua representatividade, principalmente no mês em que estamos, época em que é celebrado o Orgulho LGBTQIA+.

A série é ambientada nos anos 1980 e início da década de 1990, narrando a trajetória de Blanca (MJ Rodriguez) e de outras mulheres transgêneros que acolhem jovens LGBTQIA+ que foram expulsos de casa. A produção também apresenta o mundo dos bailes noturnos em Nova York e o surgimento da epidemia do vírus HIV quando ainda não se tinha informações concretas sobre a doença. O ator Billy Porter ganhou um Emmy de Melhor Ator em Série Dramática, em 2019, pelo seu trabalho em “Pose”, se tornando o primeiro homem gay e negro a receber o prêmio.

Cara Gente Branca (2017-presente)

Disponível em: Netflix.

Baseada no filme de 2014, “Cara Gente Branca” é contada do ponto de vista de alunos negros estudando em uma universidade majoritariamente branca, nos Estados Unidos. Sam White (Logan Browning), além de aluna, apresenta um programa de rádio dentro da faculdade, contando a experiência dela e dos colegas sobre racismo e aceitação no campus. Tudo desanda quando um incidente na festa de Halloween dos alunos piora o convívio e contribui para a tensão social.

Olhos que Condenam (2019)

Disponível em: Netflix.

Baseada em fatos, “Olhos Que Condenam” é um retrato triste e chocante do que acontece ao redor do mundo pela comunidade negra atualmente. A minissérie expõe o caso de cinco jovens que foram injustamente acusados de um estupro no Central Park, em 1989. Criada, escrita e dirigida por Ava DuVernay, o enredo vai acompanhar os cincos jovens negros condenados pelo crime no bairro do Harlem, desde como são tratados pela polícia, até o julgamento e suas consequências.

Quando escolhemos uma série para acompanhar, é compreensível que esse momento seja algo leve e que muitas vezes sirva de fuga para problemas que estejam nos consumindo. Isso é saudável, claro, principalmente no cenário atual.

Mas abro um convite, aqui, para que pensemos em outro tipo de entretenimento. Aquele que transforma e que forme pontes para diálogos importantes e debates que precisam estar em voga, abrindo espaço para vozes que quase sempre são silenciadas. Principalmente se essas vozes vierem de mulheres, negros ou de dentro da comunidade LGBTQIA+.

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