Segunda temporada de “Sex Education” mantém a qualidade com quebra de tabus

Quando “Sex Education” estreou em 2019, no catálogo da Netflix, foi sucesso entre o público. Sobre a experiência pessoal de quem escreve esse texto, houve surpresa pela história ser ambientada dentro do universo teen, porém desenvolvendo uma pegada mais consciente sobre temas que devem (ou deveriam) ser discutidos não só entre jovens, mas por adultos também. A crítica da primeira temporada pode ser lida na coluna Uma Série de Coisas do portal FolhaPE.

A série não foi muito além no quesito história central. O enredo da segunda temporada apenas cuidou de seguir o mesmo caminho apresentado nos primeiros episódios e isto, em “Sex Education”, está longe de ser um defeito, pois dá a oportunidade ao roteiro de se aprofundar nos personagens – ddd – e nos novos subtemas dentro desse tabu que é o diálogo sobre sexo entre gerações.

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Desta vez, o dilema de Otis (Asa Butterfield) se intensifica já que sua mãe, Jean Milburn (Gillian Anderson), foi convidada para integrar a equipe da escola com o objetivo de tirar dúvidas sexuais, coisa que o jovem faz cobrando aos alunos pelo “serviço”. Tê-la como concorrente leva o protagonista ao limite, que ainda possui dificuldade em conversar sobre sua intimidade, mesmo agora tendo uma namorada.

Dentro de uma esfera de cancelamentos prematuros no conteúdo da Netflix, é interessante perceber como Laurie Nunn, criadora de “Sex Education”, consegue manter a qualidade na segunda temporada e repetir o sucesso que foi a primeira, garantindo assim que sua história não esteja no alvo do descarte. Nesta segunda-feira (10) o feedback positivo veio através do anuncio oficial do streaming de que a série está renovada para o terceiro ano.

Ainda que a série teen tenha preferido se manter neutra, é o foco na dinâmica dos personagens que sustenta os novos episódios, como se os produtores estivessem atentos para o que foi destaque na primeira temporada afim de desenvolver conteúdo em cima desses elementos no ano seguinte.

Claro que é necessário adicionar novidades para que a produção não corra o risco de se tornar tediosa, mas a introdução de novos personagens, aqui, teve o mesmo propósito: agregar nas tramas daqueles que já conhecemos. A chegada da mãe de Maeve (Emma Mackey), por exemplo, assim como o vizinho Isaac (Connor Swindells), faz parte da nova dinâmica da garota que precisa reascender sua autoestima e se entender como uma pessoa responsável. O mesmo serve para Eric (Ncuti Gatwa), que conhece Rahim (Sami Outalbali) e divide o coração entre o novato e Adam (Connor Swindells). Sem esquecer de Viv (Chinenye Ezeudu), que se torna amiga de Jackson e ajuda a lidar com suas questões.

Questões de gênero são o carro-chefe de “Sex Education” e não deixa a desejar na segunda temporada. Seja na descoberta da sexualidade ou sobre empoderamento feminino e assédio sexual, a série entrega cenas lindas, atuais e emocionantes, como por exemplo o poder da amizade que nasce após um grupo de meninas totalmente diferentes descobrirem que a única coisa em comum entre elas é um trauma que grande parte das mulheres fora da ficção passam diariamente. A união entre personagens carismáticos e assuntos que acrescentam na construção de uma sociedade mais empática é motivo suficiente para que ainda queiramos ver esses adolescentes por mais anos no streaming.

A segunda temporada de “Sex Education” está disponível na Netflix.

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