João e a Aranha Gigante [parte 2]

Antes de continuar, leia a primeira parte aqui.

Muito tempo se passou depois disso. João havia se tornado um tronco esquecido no fundo de uma caverna, da qual ele nunca havia conseguido sair. A madeira endurecida havia se acinzentado e não havia mais folhas, o vento frio e fedido da caverna havia levado qualquer vida que ali havia restado. Porém em um dia, um dia que era lindo no lado de fora, um pássaro voou e voou, até achar um buraco cinzento em meio àquela floresta tão marrom e verde. Ele deslizou pelas pedras pontiagudas e encontrou uma bela flor amarela que havia brotado num tronco seco e abandonado. O tal pássaro ficou tão surpreso com tal descoberta que abriu seu bico e deixou uma semente cair em cima da flor. Ele voou depressa logo após isso, pois uma brisa lhe contou que ali não era o melhor lugar para um pássaro estar. Porém a semente ficou escondida dentro da flor, que logo em seguida fechou-se.

Mais algum tempo passou e com ele mais uma tempestade havia chegado. A chuva caia com força, penetrando ainda mais fundo na terra. Pássaros e se escondiam em troncos e no chão. E no fundo de uma caverna uma flor desabrochou e deixou que uma semente fosse banhada pela água de uma tempestade. De gota a gota a flor encheu-se de água e transbordou. O cair das gotas fez a flor balançar e derrubar a semente e cair dentro de uma rachadura do tronco. Raízes surgiram depois de algumas semanas, algumas folhas que lutavam como podiam para que o filete de luz tocasse alguma de suas pontas. Mais algumas tempestades vieram e mais gotas caíram, até que João voltasse a vida.

Seus olhos se abriram e seu peito encheu-se de ar. Sentia seus braços mais fortes, ficou feliz por ter voltado a enxergar, sentia-se úmido, com fungos crescendo em suas costas. Sua espada ainda repousava em sua mão e o sol ainda brilhava com um filete em seu corpo. Ele apertou a espada em sua mão e com o brilhar de sua flor amarela ele caminhou em direção a saída. Atraindo a sua nêmese mais uma vez.

A aranha não parecia tão incrédula ao vislumbrar um brilho se aproximando da saída. Mas movimentou-se rápida em direção a saída, mostrando suas garras e toda a sua grandeza. João a olhou com o medo habitual, mas sua determinação o fez manter o controle.

– O que acha que vai fazer? Eu já o matei uma vez, posso mata-lo sempre.

Disse a aranha ainda suja com o sangue em suas presas.

– Te enfrento quantas vezes for necessária, mas não irei ser feito de presa nunca mais na vida. Não sou o mesmo que tu mataste. Árvores não crescem em cavernas e sumaúmas nascem para serem grandes.

João fincou seus pés nas pedras e quebrou o chão da caverna, fazendo tudo tremer. Suas raízes se aprofundaram até encontrar terra, sua flor brilhou ainda mais, cegando a aranha em sua frente. Ele levantou sua espada e a fincou inteira aranha dentro. A besta gritou, esperneou e raízes surgiram debaixo dela a arrastando para as profundezas da terra.

O sol brilhou inteiramente sobre João, sentia seu corpo quente, sentia seus galhos em sua cabeça brotarem lindas flores. O menino atravessou a caverna e entrou de volta na floresta da qual ele sempre pertenceu. Limpou sua espada e a guardou em suas costas. Fincou seus pés na terra fez algo que nunca havia deixado de fazer, confiar no caminho que eles iriam lhe levar.

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