“Ghoul – Trama Demoníaca”: série indiana une folclore local com a crise política do País

Quantas séries indianas você já assistiu? Provavelmente a resposta será quase nenhuma. Isso porque estamos acostumados a consumir o padrão cinematográfico e televisivo americano. Isso vem mudando. A Netflix, atualmente, é um dos principais serviços de streaming que tem se empenhado em apresentar conteúdo original de outros países, como é o caso da sua segunda série indiana (“Jogos Sagrados” foi a primeira), “Ghoul – Trama Demoníaca”, lançado na última sexta-feira (24).

“Ghoul” se divide em apenas três episódios e, para a felicidade dos amantes do gênero de terror e thriller, é uma parceria com a Blumhouse Productions, mesma produtora de sagas como “Sobrenatural” e “Atividade Paranormal”. A atriz Radhika Apte e o ator Manav Kaul fazem parte do elenco principal.

O desenvolvimento da história se passa praticamente em uma única locação, um centro de detenção para prisioneiros de guerra. Após denunciar seu pai como traidor, Nida (Apte) é recrutada como interrogadora do lugar, para servir ao País. Mas quando os militares conseguem capturar o líder dos terroristas, percebe-se que o criminoso, na verdade, esconde forças ocultas sobrenaturais.

O que faz de “Ghoul” uma boa opção de maratona é a maneira simplista e certeira que a série é produzida do começo ao fim. A trama é construída em fatos reais e, por isso, consegue criar uma base sólida para a parte ficcional brilhar. O roteiro sabe o momento exato onde começar e terminar, sem enrolação, criticando a crise política na Índia, além da censura e alienação disfarçada de patriotismo, dando espaço para o aprofundamento da lenda demoníaca local.

Com doses de susto e sensações de angustia bem equilibradas, o vilão de “Ghoul” – que carrega o nome da série – faz lembrar um pouco da Criatura de “Olhos Famintos” (2001), com traços longos no rosto e dentes afiados. Mas engana-se quem torce o nariz para essa comparação, pois se houvesse alguma premiação televisiva para maquiagem ou efeitos especiais de produções desse tipo, não seria surpresa ver o responsável do novo terror indiano entre os indicados.

Uma curiosidade sobre a produção do thriller é que o cineasta britânico Patrick Graham, criador da história, sonhou que uma pessoa entrava em uma prisão e conseguia aterrorizar os guardas e os companheiros de cela, premissa utilizada para compor “Ghoul”.

Para os fãs do gênero, “Trama Demoníaca” é uma ótima opção para quem quer desafiar seus limites de medo, facilmente assistindo todos os episódios em uma única vez. Veja o trailer:

A lenda folclórica de Ghoul

O Ghoul existe na cultura árabe. Costuma-se dizer que a criatura vive em cemitérios ou lugares isolados e foi identificado como um tipo de demônio filho de Iblis (nome islâmico equivalente ao Satanás na religião cristã).

A cultura indiana afirma que o monstro muda de forma com base nas pessoas em que captura para se alimentar, mastigando sua carne e bebendo seu sangue. Acredita-se que ele também possui a forma de uma hiena e atrai desavisados para o deserto arábico para mata-los.

Em árabe, o termo ghoul é usado, às vezes, para descrever um indivíduo ganancioso ou guloso. O escritor Antoine Galland – especialista em manuscritos antigos e línguas orientais – traduziu “As Mil e Uma Noites” para o francês e a partir deste fato a ideia do monstro devorador de carne foi introduzida na sociedade europeia. O termo foi usado na literatura pela primeira vez em 1786, em um romance de William Beckford e desde então vem se espalhando na cultura popular.

GHOUL – TRAMA DEMONÍACA

Número de temporadas: 1.
Episódios: 03.
Média de duração: 50min/ep.
Cotação: 4,5/5.

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