The Alienist brilha nas nuances da adaptação, mas não seduz pela narrativa

O ano é 1896, Era de Ouro de Nova York. O local tem servido como principal ponto de entrada para imigrantes, predominantemente italianos. Homens ricos esbanjam suas riquezas na mesma intensidade em que há extrema pobreza e esse é o cenário proposto por The Alienist, novo lançamento da Netflix. A história é uma adaptação do best-seller O Alienista, de Caleb Carr.

Quando o assunto é o novo trabalho de Jakob Verbruggen, a primeira sensação que temos é que a narrativa foi gravada no século XIX. Os cenários e o figurino são tão fiéis à época que, por algum momento, somos transportados para as ruas nova-iorquinas, onde uma série de assassinatos de prostitutos mirins assustava a população. Em tempos onde a medicina avançava lentamente, assim como as formas de investigação da polícia, o medo era o principal combustível da cidade.

lead_960_540

A psicologia como conhecemos não existia naquela época, os psiquiatras de hoje eram chamados de alienistas antigamente e no episódio piloto fica claro o porquê. “No século 19, acreditava-se que as pessoas que sofriam de doenças mentais estavam alienadas de sua verdadeira natureza. Especialistas que as estudavam eram conhecidos como alienistas”, diz na introdução.

Mas se a produção e a direção brilharam tanto, tendo a adaptação como um de seus pontos mais positivos, ela acaba escorregando no aprofundamento dos temas e perde o foco do principal. Existe o lado da investigação, onde é visto que não só um, mas vários garotos de bordel foram mortos, a partir disso a apuração se inicia. Porém, também há uma série de temas importantes sendo postos timidamente, sem vigor.

alienist-trailerxhchHá bastante preconceito com os imigrantes e com homossexuais – chamados pejorativamente de carcamanos – corrupção policial pelo fato das vítimas serem “escória do mundo”, capitalismo contra socialismo, igreja contra ciência, desigualdade de gênero. Todos esses assuntos são colocados discretamente, mas sem nenhuma atenção mais firme. O elenco escolhido é de peso e convence quando o objetivo é passar a verdade da história, mas a impressão que fica é de que os roteiristas não estavam dando o melhor de si. Isso se torna visível quando o foco se torna o próprio assassinato, onde tudo é deixado para o final de forma imprudente, jogando dicas e descobertas a torto e a direito, não seduz.

O comissário de polícia, Theodore Roosevelt, que encontrou a primeira vítima, é interpretado por Brian Geraghty. Ele chama o psicólogo criminal Dr. Laszlo Kreizler (Daniel Brühl, de Capitão América: Guerra Civil) e o jornalista John Moore (Luke Evans, da trilogia O Hobbit) para ajudá-lo a investigar o caso. O grupo ainda conta com a ajuda da secretária do departamento de polícia, Sara Howard, interpretada por Dakota Fanning, interessada em se tornar a primeira detetive da cidade. Sua personagem é uma das mais ricas da trama, por ser a figura feminista que não se curva para os homens poderosos a sua volta. Em um plano geral, The Alienist não é uma produção ruim, mas perpetua um sentimento de que a obra pode dar mais do que foi mostrado. Veja o trailer:

THE ALIENIST

Número de temporadas: 1.
Episódios: 10.
Média de duração: 50min/ep.
Cotação: 4/5.

2 comentários Adicione o seu
  1. Sua crítica é boa. Eu também quero ver a série. Eu devo dizer que estou muito ansisa por ver pelo elenco que tem. Um dos meus preferidos é Luke Evans. Lembro dos seus papeis iniciais, em comparação com os seus filmes atuais, e vejo muita evolução, mostra personagens com maior seguridade e que enchem de emoções ao expectador. Também desfrutei muito sua atuação no filme Professor Marston e as Mulheres Maravilha cuida todos os detalhes e como resultado é uma grande produção e muito bom filme. para mim é um dos grandes filmes do ator. Se ainda não tiveram a oportunidade de vê-lo, eu recomendo também.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *