Após Grey’s, Sandra Oh se aventura pelo thriller

Cinco anos se passaram desde que Sandra Oh se despediu de sua personagem Cristina Yang, em 2013, na série médica Grey’s Anatomy. Após o adeus, a atriz chegou a participar de alguns trabalhos na televisão e no cinema, como o papel principal no longa Catfight (2017) e entrando para o elenco regular da terceira e última temporada de American Crime (2017). Ainda assim, seu papel de cirurgiã, onde dedicou 10 anos de sua carreira, parece nunca ter sido esquecido, até agora.

Na série Killing Eve, novo projeto que a atriz realiza no canal BBC America, Sandra largou a cirurgia cardiotorácica e mergulhou no mundo da espionagem europeia. Na nova trama, Eve (Oh) é agente de operações de segurança e tem uma rotina chata em um escritório burocrático. Ela sonha em um dia se tornar espiã no departamento secreto do MI5 e não faz cerimônia para exibir e provar sua inteligência.

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Ao seguir a protagonista, é perceptível que sua personalidade é comparável a de Yang na questão profissional. Ambas são determinadas em evoluir dentro do ambiente de trabalho. Eve e Cristina são irônicas, não perdem a oportunidade de soltar uma piadinha discreta ou de fazer comentários que não cabem no momento. Se a médica de Grey’s comemora o diagnóstico de um tumor na frente do paciente apenas para poder operar, Eve também se torna atrapalhada em demonstrar sensibilidade ao ponto de precisar disfarçar sua fascinação quando percebe que uma vítima foi morta de forma brutal. As duas, ainda, não são fãs de regras e pouco se importam em passar por cima de seus superiores para provar uma teoria. E sim, elas estão sempre certas.

Embora tantas semelhanças, Sandra Oh consegue lançar para os fãs a pergunta “Cadê a Cristina?” na individualidade de sua personagem nova. Seu senso de humor é bem mais acessível que a da médica e quando colocada em situações de risco, Eve é histérica e desesperada. A agente tem uma vida pessoal bem equilibrada, com um marido simples e confiável e que aparentemente não atrapalha seus sonhos de carreira.

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No começo da narrativa temos a apresentação da vilã Villanelle (Jodie Comer), uma serial killer perigosa e elegante que trabalha com assassinatos por encomenda. Estando há anos na profissão sem nunca ser pega, a antagonista tem a petulância de Carmen Sandiego – famosa criminosa dos anos 80 que nunca era capturada pelos detetives – com um toque sangrento de insensibilidade. Isso fica claro logo na primeira cena e se estende durante todo primeiro episódio quando acompanhamos a jovem ao longo de um dia luxuoso na cidade de Londres, analisando a sociedade, imitando comportamentos e praticando seu disfarce de mulher carismática para maquiar sua falta de humanidade. É com a trilha de corpos das vítimas que as duas mulheres, de personalidades fortes e marcantes, tem seus caminhos cruzados. Começa então uma perigosa caça de gato e rato com a promessa de que apenas uma delas terá o que quer.

Sem títuloCom uma fotografia cinzenta e discreta, a série coloca elementos de cenários em segundo plano para dar destaque às interpretações do elenco. Além das duas personagens que carregam o drama principal, a produção conta com um rosto bastante conhecido, a atriz Fiona Shaw (saga Harry Potter). Ela interpreta Carolyn Martens, a chefe do MI6 na Russia, responsável por introduzir Eve na unidade secreta que investiga a série de assassinatos causados por Villanelle.

É uma tarefa difícil desvincular Sandra Oh do papel que marcou sua carreira e tirá-la do grupo de “atrizes de uma personagem só”. Em contrapartida, ao final do piloto a sensação que prevalece é a de que existe uma boa dose de possibilidades na história capaz de oferecer à atriz o que ela precisa para se destacar e se livrar totalmente do fantasma de Cristina Yang.

Killing Eve, que estreou no último domingo (8), é baseada nos contos do autor Luke Jennings. A série foi criada por Phoebe Waller-Bridge e já foi renovada para a segunda temporada. A primeira contará com oito episódios e é transmitida pelo canal BBC América. Veja o trailer:

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